Para escolher chuteira society, confirme primeiro o solado: TF (Turf) na Nike e na Adidas, TT na Puma. É a sola de borracha com muitas travas baixas, feita para grama sintética curta. Depois escolha a família pela largura do seu pé, o nível de linha pela frequência com que você joga e só então a numeração, provando com o meião de jogo. Marca, cor e o modelo do jogador famoso entram por último, como desempate.
A ordem tem motivo. Cada etapa elimina opções da seguinte: solado errado não se corrige com ajuste, e forma estreita não se corrige com número maior.
A chuteira society se reconhece pela sigla no nome do modelo e pelo desenho da sola. Cada marca usa a sua sigla, e as vitrines on-line costumam misturar solados de society, de campo e de quadra no mesmo resultado de busca.
| Marca | Sigla do solado society | Siglas que não são de society |
|---|---|---|
| Nike | TF (Turf) | FG, AG, SG e MG, de campo; IC, de quadra |
| Adidas | TF (Turf) | FG, AG, SG e MG, de campo; IN, de quadra |
| Puma | TT | FG/AG e MG, de campo; IT, de quadra |
| Mizuno, Asics e New Balance | Nomenclatura própria de cada marca | Confira a superfície indicada na ficha do produto |
Sem sigla visível, olhe a sola. O solado society tem travas curtas de borracha, de altura parecida, distribuídas da ponta ao calcanhar. A Nike descreve o TF como travas menores e mais curtas, em maior quantidade, e a Adidas indica o seu TF para grama artificial de fibra curta. Sola com poucas travas altas é de campo. Sola plana, sem travas, é de futsal.
Há guias de compra que indicam o AG (Artificial Grass) para society, mas a própria Adidas o descreve para grama artificial de fibra longa. Em resumo: sem TF ou TT no nome, ou sem travas baixas e numerosas na sola, a chuteira não é de society.
Com o solado identificado, a escolha passa por cinco decisões. Responda na ordem, porque cada resposta reduz as opções da pergunta seguinte.
O campo society mais comum tem grama sintética curta, com granulado de borracha entre as fibras. É para ele que o TF e o TT foram desenhados: muitas travas baixas dividem o apoio por toda a sola, e nenhuma delas precisa penetrar o piso.
Duas situações fogem desse padrão. Em sintético de fibra longa e com bastante granulado, comum em campos maiores, as travas baixas podem não alcançar a base do gramado, e o AG passa a ser opção; a diferença entre solado TF e AG detalha esse limite. Em campo de terra batida ou de grama natural dura, o TF continua fazendo sentido: a Nike indica o TF também para alguns pisos duros, e a Puma descreve o TT para superfícies naturais duras e grama sintética de segunda geração.
Daí sai a resposta para a dúvida entre trava alta ou baixa. No society de grama curta, a escolha é trava baixa. Trava alta, de AG ou de campo, não penetra o sintético curto: o pé apoia sobre menos pontos, a pressão se concentra na planta do pé e a chuteira fica instável nas viradas.
A largura define a família, porque cada família é montada sobre uma forma diferente. Se chuteiras costumam apertar o dedo mínimo, marcar a lateral do pé ou dar formigamento no antepé depois de uns vinte minutos, trate o seu pé como largo, mesmo sem ter medido.
As fabricantes indicam onde fica cada família:
| Marca | Mais espaço no antepé | Ajuste mais justo |
|---|---|---|
| Nike | Phantom e Tiempo, que a Nike indica para pé largo | Mercurial, que a própria Nike considera restritiva para pé largo |
| Puma | Future, de forma regular a larga, segundo a Puma | Ultra, de forma regular a estreita |
| Adidas | Predator League, descrita na página brasileira como de formato grande (a mesma página também a chama de fiel ao tamanho) | F50, que a Adidas apresenta com ajuste próximo ao pé |
Pé largo se resolve trocando de família, não de número. Subir a numeração aumenta o comprimento sem ganhar largura, e o pé passa a deslizar para a frente nas freadas. Para comparar as famílias de cada marca no society, há guias das chuteiras society Nike, das chuteiras society Adidas e das chuteiras society Puma.
O cabedal é a parte de cima da chuteira, a que envolve o pé e toca a bola. No society, ele sofre mais na biqueira e na dobra do antepé, onde o pé arrasta no sintético e o material dobra a cada passada.
A frequência define o nível de linha. A Nike descreve o Club como linha para iniciantes e jogo casual, o Academy para jogadores recreativos e em desenvolvimento e o Pro para quem joga em clube ou de forma competitiva. A Adidas (Club, League e Pro) e a Puma (Play, Match e Pro) seguem uma escada parecida.
Para quem joga a cada quinze dias, a linha de entrada costuma bastar. Para a pelada semanal, o nível intermediário tende a manter o ajuste por mais partidas. O que muda de um nível para o outro está no guia de chuteira society custo-benefício.
Cano baixo, médio ou alto muda a sensação de calce. A Nike afirma, no próprio guia de compra, que a altura do cano provavelmente não interfere no desempenho. A escolha, então, é de conforto: quem gosta do tornozelo envolvido prefere cano médio ou alto; quem estranha a gola fica com o baixo. Cano alto não substitui fortalecimento, e quem já teve entorse deve conversar com um profissional de saúde antes de contar com ele.
Sem cadarço, a chuteira precisa servir na forma do pé desde o primeiro uso, porque não há como apertar ou afrouxar depois de calçada. Para quem tem peito do pé alto, o modelo com cadarço dá uma margem de ajuste que o sem cadarço não dá.
A numeração muda entre marcas e até entre modelos da mesma marca. A Nike, por exemplo, avisa que a Tiempo Maestro Academy TF veste pequeno. Por isso a prova vale mais que o número habitual. Meça o pé em centímetros e confira a tabela da página do produto; o guia de como saber o tamanho ideal da chuteira mostra como medir. Com a chuteira em mãos:
Ajustado é o pé sem espaço para deslizar. Apertado é dor, dormência ou marca na pele. O primeiro é o objetivo; o segundo melhora pouco com o uso, sobretudo em cabedal sintético.
Com o solado, a forma e o nível definidos, compare os modelos na categoria de chuteiras society, filtrando primeiro pela família que veste o seu pé.
Para quem está começando, a melhor é a de linha de entrada da família que veste bem o seu pé, com solado TF ou TT. Nesse estágio, numeração e solado pesam mais que tecnologia de cabedal. Se o plano é jogar toda semana desde o início, o nível intermediário evita trocar de par cedo.
Em grama sintética curta, mesmo com bastante granulado, o TF continua sendo o solado indicado. O AG só passa a valer em sintético de fibra longa, em que as travas baixas não chegam à base do gramado. Se você joga nos dois tipos de campo, escolha pelo que aparece com mais frequência na sua semana.
Pode, em terra batida e seca. A Nike indica o TF também para alguns pisos duros, e a Puma descreve o TT para superfícies naturais duras. Em terra fofa ou com lama, as travas baixas perdem tração, e um solado de campo passa a funcionar melhor.
Não é indicado. As travas de borracha reduzem a área de contato com o piso liso da quadra e diminuem a aderência, e muitas quadras cobertas só aceitam sola plana. Para futsal, o solado é o IC na Nike, o IN na Adidas e o IT na Puma.
Deve ficar firme, sem apertar. O pé não pode deslizar dentro dela na arrancada, mas também não pode haver dor, dormência ou marca na pele. Couro cede um pouco com o uso; sintético quase não cede, então ele precisa estar confortável já na prova.
Em grama natural baixa e dura, o TF pode servir. Em grama natural macia ou úmida, as travas baixas não penetram o solo e a chuteira escorrega nas mudanças de direção. Quem joga com frequência nas duas superfícies costuma precisar de um par para cada uma.
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