As Regras do Jogo de Futsal pedem pouco do calçado: tênis de treino ou de ginástica, de lona ou couro macio, com sola de borracha ou material semelhante. O resto da escolha depende da quadra. Em piso de madeira ou de ginásio coberto, o solado precisa ser non-marking, ou seja, não deixar marca no piso. Em cimento de quadra externa, a borracha gasta mais rápido e a biqueira sofre com o arrasto. Em qualquer piso, a chuteira de futsal certa segura o calcanhar e o antepé nas freadas, porque na quadra o pé para e gira sobre uma sola plana.
Chuteira de futsal e tênis de futsal são o mesmo calçado: sola plana de borracha, sem travas, para piso duro e liso. Nas páginas das fabricantes, uma sigla identifica esse solado: IC (Indoor Court, quadra coberta) na Nike, IN (Indoor) na Adidas e na Mizuno, IT (Indoor Training) na Puma. A Nike descreve o IC como sola de borracha plana para quadras e pisos de concreto, e a Adidas descreve o seu solado de quadra como borracha plana que adere a pisos duros.
Dois solados aparecem na mesma busca e não servem para a quadra. O TF, de society, tem travinhas de borracha que reduzem a área de contato com o piso liso. O MG (Multi Ground), de campo, é excluído pela própria Nike para quadra e concreto.
A regra explica também por que uma quadra pode barrar um calçado que a federação aceitaria. A Lei 4 das Regras de Futsal fala só da sola de borracha. Quem decide sobre marca no piso é o dono do ginásio ou o regulamento do campeonato, e muitas quadras cobertas exigem solado non-marking. Confira a regra do local antes de comprar; a definição técnica está no post sobre solado que não marca a quadra.
A quadra define o que pesa na compra. A tabela resume os pisos mais comuns no futsal amador e o que procurar na ficha do produto em cada um.
| Piso | O que pesa na escolha | O que procurar na ficha | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Madeira de ginásio | Não marcar o piso e girar sem prender | Indicação de solado non-marking ou que não marca | Poeira sobre a madeira reduz a aderência de qualquer sola |
| Piso sintético de ginásio (emborrachado ou vinílico) | Aderência e giro; o pé tende a ser mais exigido nas freadas | Non-marking e desenho de tração multidirecional | Muitos ginásios com esse piso também exigem non-marking |
| Cimento liso ou pintado | Durabilidade da borracha e da ponta | Reforço na biqueira e borracha espessa embaixo do antepé | Com poeira ou umidade, fica escorregadio para qualquer solado |
| Cimento áspero ou quadra de rua | Resistência à abrasão | Reforço de ponta e cabedal encorpado, como couro ou camurça | Malha fina tende a abrir cedo na ponta |
Um exemplo de ficha que responde às duas exigências: a Mizuno descreve a Morelia Sala Club IN com solado de borracha non-marking e reforço na ponta para durabilidade. Em resumo, madeira e ginásio pedem non-marking e sola que gira; cimento pede borracha e ponta que aguentem abrasão. Quem joga nos dois pisos deve priorizar o non-marking, que é o que pode barrar a entrada, e aceitar que o cimento encurta a vida da sola.
Três detalhes da sola mudam o comportamento do calçado na quadra.
Borracha non-marking. É a sola que não deixa risco escuro no piso. A Mizuno descreve a Morelia Sala Classic com solado de borracha non-marking, e a Puma descreve a Ultra 5 Match IT com solado non-marking de perfil baixo. Quando a ficha não diz, não presuma: nem a sigla de quadra nem a cor da sola confirmam essa característica.
Desenho da sola. Sulcos em várias direções buscam tração nas mudanças de direção; a Nike descreve assim a sola da Lunar Gato II, com tração multidirecional para cortes rápidos em quadra. Muitas solas de futsal têm também um círculo no antepé, a área de pivô, onde o pé gira. É ali que a borracha gasta primeiro em quem gira muito.
Solado baixo ou alto. No futsal, essa dúvida fala da distância entre o pé e o piso. Sola de perfil baixo deixa o pé mais perto do chão, o que favorece a estabilidade e a sensação da bola sob a sola. Entressola mais espessa, como a entressola macia que a Mizuno declara na Morelia Sala Classic, coloca mais espuma entre o pé e o piso duro e tende a suavizar a sensação de impacto, com o pé um pouco mais alto.
A sola baixa é indicada para quem joga pouco, é leve e prioriza o controle da bola. A entressola declarada é indicada para quem joga várias vezes por semana ou tem peso corporal maior; para esse caso, o guia de tênis de futsal para quem está acima do peso detalha o que observar.
Na quadra, a sola plana segura bem o piso, e o movimento sobra para dentro do calçado. Em cada freada, o pé tende a deslizar para a frente e para os lados se o calçado está largo ou frouxo. O resultado aparece como bolha, unha batendo na biqueira e perda de precisão no drible.
Três pontos seguram o pé:
A orientação de numeração muda por modelo: a Mizuno, por exemplo, recomenda um número acima na Morelia Sala Club IN. Leia a orientação da página antes de escolher o tamanho e prove com a meia que você usa na quadra.
O piso pesa muito em três situações: quando a quadra coberta exige non-marking, porque o calçado errado fica do lado de fora; quando você joga toda semana em cimento, porque a abrasão decide quanto a sola dura; e quando você joga sempre no mesmo ginásio, porque dá para escolher o desenho de sola pensando só nele.
O piso pesa pouco para quem joga de vez em quando em lugares variados. Nesse caso, qualquer calçado de quadra com solado non-marking atende, e a decisão passa a ser de ajuste. O que não muda com o piso é o ajuste: calcanhar firme e dedos longe da biqueira valem para madeira, sintético e cimento.
Aderência também depende de cuidado. Poeira na sola tira tração de qualquer modelo; passar um pano úmido na sola antes do jogo e reservar um par só para a quadra coberta ajudam a manter o grip.
Para comparar linhas por marca, veja os guias de chuteiras de futsal Nike, Adidas e Mizuno, ou a seleção completa de chuteiras de futsal.
Priorize o piso e o ajuste, nessa ordem: sigla de quadra, solado non-marking se a quadra for coberta e um calçado que segure o calcanhar na freada. Para quem joga a cada quinze dias, a linha de entrada costuma bastar; tecnologia de cabedal pode esperar.
Procure a indicação non-marking, ou que não marca o piso, na descrição do solado. A cor da sola não é critério confiável, e a sigla IC, IN ou IT sozinha também não confirma. Se a ficha não informa, pergunte ao vendedor antes de levar o calçado a uma quadra que exige.
Não é o ideal. A regra aceita tênis de treino com sola de borracha, mas o tênis de corrida costuma ter entressola alta e sola desenhada para o movimento para a frente, o que tende a reduzir a estabilidade nas freadas laterais. Algumas solas de corrida também marcam o piso.
As causas mais comuns são poeira no piso, sola suja ou gasta na área do dedão e calçado inadequado para o piso. Limpe a sola com pano úmido antes do jogo e confira o desgaste na área de pivô. Se o que escorrega é o pé dentro do tênis, e não a sola no piso, o problema é ajuste.
Pode, mas asfalto e cimento áspero gastam a borracha e a biqueira mais rápido, e a sola que foi para a rua leva sujeira para a quadra. Quem joga em quadra coberta costuma reservar um par só para ela.
Precisa de calçado com sola plana de borracha, e a escolinha pode exigir non-marking. A linha de entrada costuma bastar, porque o pé cresce antes de a sola gastar. Evite comprar número acima para durar mais: o pé desliza nas freadas.
Troque quando a borracha embaixo do dedão estiver lisa, sem o desenho original, quando a biqueira abrir ou quando o calcanhar deixar de ficar firme. Sola lisa perde tração no giro, e esse costuma ser o primeiro ponto a gastar.
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