Lave a chuteira à mão, com pano úmido, escova macia e sabão neutro, sem deixar de molho e sem calor. O que muda de uma chuteira para outra são dois pontos: a quantidade de água que o cabedal tolera, que depende de ser couro, sintético ou knit, e o tipo de sujeira do solado. Na chuteira de campo o trabalho está no barro entre as travas; na society, na borrachinha do sintético presa entre os cravos; na de futsal, na poeira que tira a aderência da sola lisa.
O roteiro abaixo serve para os três tipos. Os ajustes por material e por solado vêm depois do passo a passo.
O cabedal define quanta água a chuteira aguenta. A informação costuma estar na página do produto e, em muitos modelos, na etiqueta costurada dentro da lingueta, que indica a composição do cabedal, do forro e da sola.
| Cabedal | Como reconhecer | Quanta água | Cuidado principal |
|---|---|---|---|
| Couro natural (bezerro ou canguru) | Superfície com poros finos, macia, que marca levemente ao apertar | Mínima: pano úmido, nunca molho | Secar devagar e hidratar depois, porque o couro perde oleosidade e pode endurecer |
| Sintético liso ou texturizado | Superfície uniforme, às vezes com relevo de borracha ou película brilhante | Moderada: pano úmido e escova | Evitar solventes, que podem manchar a película e as pinturas |
| Knit ou malha | Tecido de trama visível, em geral com revestimento por cima | Pouca: escova úmida, sem encharcar | Escovar de leve para não puxar fios nem descascar o revestimento |
Se a chuteira mistura materiais, como knit no colarinho e sintético no antepé, siga o cuidado do material mais sensível nas áreas em que ele aparece.
Mancha de grama em chuteira clara pede técnica própria, explicada em como limpar chuteira branca e tirar manchas de grama.
O barro do gramado natural é a sujeira mais pesada. Ele sai mais fácil quando ainda está úmido e mole; depois de seco, vira uma crosta que exige mais escova e mais água. Por isso, a limpeza a seco do passo 2 rende mais se for feita no mesmo dia do jogo, ainda no campo ou ao chegar em casa.
Na chuteira SG, sigla de Soft Ground, com travas removíveis de metal ou de plástico, vale tirar as travas com a chave que acompanha a chuteira de tempos em tempos. Limpe a rosca, deixe tudo secar e recoloque. Terra seca acumulada na rosca dificulta a troca e esconde trava gasta. Na chuteira FG, sigla de Firm Ground, as travas são fixas, e o palito resolve os cantos.
O gramado sintético de society usa granulado de borracha, a borrachinha preta, que gruda entre os cravos do solado TF, sigla de Turf, e entra pela gola da chuteira. Ela sai melhor a seco: vire a chuteira de cabeça para baixo, bata a sola e tire a palmilha para esvaziar o interior. Um aspirador de pó com bico fino recolhe o que sobra.
Depois disso, escove entre os cravos com a escova do solado. A sujeira do sintético costuma ser fina e gordurosa, e o pano com sabão neutro dá conta do cabedal.
Na chuteira de futsal, a limpeza do solado mexe direto com o jogo. A sola de borracha lisa ou de sulcos rasos depende do contato limpo com o piso, e uma camada de poeira entre os dois reduz a aderência. Limpe a sola com pano úmido antes e depois de jogar, e escove as ranhuras quando a poeira se acumular nelas.
Não passe na sola produto de brilho, silicone ou qualquer coisa oleosa, porque eles deixam uma película que escorrega no piso. Resíduo de sabão causa efeito parecido, então a sola precisa sair do passo 6 sem espuma. O cabedal segue a regra do material, como nos outros tipos.
Chuteira bem conservada continua sendo um item de desgaste. Quando o solado gasta ou o cabedal abre, as opções de reposição estão em chuteiras de campo, chuteiras society e chuteiras de futsal.
A limpeza a seco, com escova e sem água, vale para depois de todo jogo. A lavagem com sabão fica para quando há barro, mancha ou sujeira que a escova não tira. Quanto menos a chuteira é molhada, menos a colagem e o couro sofrem.
Não é o indicado. O sabão em pó dissolve mal em pouca água e tende a deixar resíduo nas costuras e na trama do knit. Sabão neutro ou detergente neutro, em poucas gotas, limpa com menos risco.
Pode, com pouca água. O couro tolera o pano úmido, mas não o molho. Depois da limpeza, ele precisa secar devagar, à sombra, e receber hidratação própria para couro quando estiver seco.
Não. O hidratante de couro repõe a oleosidade de um material natural; no sintético, ele não tem função e pode deixar película sobre a superfície. Pano úmido e sabão neutro bastam.
Ainda no campo, bata as solas uma na outra e tire o grosso do barro ou da borrachinha. Em casa, afrouxe o cadarço, tire a palmilha e deixe a chuteira arejar fora da bolsa. A lavagem com água pode ficar para depois.
Se a palmilha sai, é melhor tirar. Lavada à parte, ela fica mais limpa, e o interior da chuteira seca mais rápido. Palmilha colada é limpa por dentro com pano úmido bem torcido.
Só jato fraco, e só no solado. Água em volume entra pela gola e pelas costuras e encharca o interior. Para o barro grosso, escova e palito a seco funcionam melhor.
Em geral, por resíduo de sabão ou de algum produto na sola. A película entre a borracha e o piso reduz a aderência. Passe pano úmido só com água na sola e deixe secar antes de jogar.
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